Terça-feira, 16 de Maio de 2006

"Quem andar na rua à noite será metralhado pela Polícia Militar"

O alarme soou de Lisboa. Domingo de manhã queriam saber se eu estava bem
perante o que diziam ser um enorme problema de segurança pública. Eu, que
vivo em São Paulo há já algum tempo habituado a problemas de segurança
publica, liguei a televisão para tentar perceber se havia alterações à
ordem a que já me habituei ou se era simplesmente um espirro lisboeta do
dia-a-dia paulista.

Era verdade, havia uns problemas no ABC paulista (periferia) porque alguém do
governo tinha tido a extraordinária idéia de mandar para casa, ao mesmo
tempo, 10.000 presos festejar o dia das mães. E também porque os outros
resolveram amotinaram-se em 49 cadeias.

Nesta segunda-feira tudo se complicou. Boatos e mais boatos deixaram a cidade em
estado de sítio. Entre garantias da existência de ataques ao Metro e de saques
a shoppings, chegou a ser dado como certo um recolher obrigatório às oito
horas. "Quem andar na rua à noite será metralhado pela Polícia Militar",
garantiam.

Em conseqüência, a maioria das empresas "liberou" os seus empregados às
quatro da tarde. Afinal, diziam, o terror está instalado e as pessoas estão
nervosas com a sua segurança e a de suas famílias. Entre sorrisos nervosos, a
esmagadora maioria resolve pôr-se a caminho de casa. Às seis da tarde é
batido um recorde na cidade: 205 km de transito, quando média é, a essa hora,
de uns 50 e poucos.

Às seis e meia, o comandante da policia de São Paulo faz um consistente e
vigoroso alerta para que as pessoas levem as suas vidas com tranqüilidade e
para que não se deixem impressionar por "boatos que circulam no Orkut".
Avisa contra o "rasto do cometa", que é como no Brasil se chama ao
aproveitamento por outros bandos do clima de terror que foi criado pelo PCC.

As televisões exploram ao máximo o acontecimento. Directos de todos os cantos
da cidade; perguntas que deviam incomodar se os factos fossem da gravidade
anunciada pelos media e pelos boatos. De Lula e Cláudio Lembo (o governador de
São Paulo) nem uma palavra. Os jornalistas assustam-se. O povo tentar arranjar
uma forma de chegar a casa porque os poucos autocarros disponíveis estão
cheios.

Às oito da noite a cidade está mais calma do que nunca. Pego no carro e vejo
uma cidade que parece em fim-de-semana. Não tenho a certeza que os paulistas
tenham levado muito a sério os boatos e ameaças do PCC que prometia ataques
em grande escala. Mas, apesar dos 81 mortos do fim de semana (nas palavras do
comandante da polícia, "39 eram bandidos") tenho para mim que a melhor
forma de enfrentar esta guerra é ir esperar que ela passe para Vila Madelena,
e "tomar todas".

José Bourbon Ribeiro
publicado por luso-paulista às 00:32
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4 comentários:
De hburnay@skynet.be a 16 de Maio de 2006 às 09:56
Ainda bem Zé. E essa veia jornalísticda não se perdeu, nota-se. Abraços HB, na tranquilidade das planícies belgas
De JBR a 16 de Maio de 2006 às 22:56
Obrigado grande Henrique.... Generosidade tua, o texto está cheio de problemas porque foi escrito a correr!
Abraços para as planícies belgas!
De Repórter Rádio Bagdad a 17 de Maio de 2006 às 00:28
Tome uma por mim! E não diga mal dos jornalistas...
Beijos e abraços.
Repórter Radio Bagdad.
De JBR a 17 de Maio de 2006 às 14:28
Olá Repórter... gosto em lê-la! Não digo mal dos jornalistas, mas que a coisa foi exagerada, lá isso foi... Beijinhos e havemos de toma-las juntos!

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